O PIX se tornou o principal meio de pagamento no Brasil. Rápido, gratuito e acessível, ele é usado todos os dias por autônomos, profissionais liberais, empresas e até mesmo pessoas físicas em atividades informais.
Mas o que poucos sabem é que, dependendo da origem e frequência das transações, os valores recebidos via PIX podem gerar obrigações fiscais importantes.
Neste conteúdo completo, a equipe da São Lucas Contabilidade mostra como regularizar pagamentos recebidos por PIX, evitando problemas com a Receita Federal, multas ou até mesmo a exclusão de benefícios sociais.
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Se você recebe valores com frequência por PIX, continue lendo e entenda quando é necessário declarar, como fazer isso corretamente e quando abrir um CNPJ.
Índice
Toggle📌 Por que o PIX precisa de atenção contábil?
O PIX, por si só, não é um imposto e nem gera obrigações automaticamente. Ele é apenas um meio de pagamento, como TED, boleto ou dinheiro em espécie.
Porém, por ser um meio rastreável e cada vez mais utilizado, as movimentações feitas por PIX passaram a chamar atenção da Receita Federal.
Por isso, o que precisa ser regularizado não é o PIX em si, mas o que está por trás da movimentação: se o valor recebido for referente a prestação de serviços, venda de produtos, aluguel, doação ou herança, pode sim ser necessário declarar o valor e recolher os tributos devidos.
✅ Quais recebimentos por PIX precisam ser regularizados?
Veja abaixo os principais tipos de transações via PIX que exigem regularização:
1. Prestação de serviços como autônomo (PF)
Se você atua como profissional liberal ou autônomo (psicólogo, personal trainer, advogado, designer, etc.) e recebe pagamentos por PIX sem emitir nota fiscal, saiba que esses valores devem ser lançados no carnê-leão e depois informados no Imposto de Renda.
Esses rendimentos são considerados tributáveis, mesmo que você não tenha CNPJ.
Exemplo: Um massoterapeuta que recebe R$ 3.000 por mês via PIX precisa preencher o carnê-leão e pagar imposto mensal, conforme a tabela do IRPF.
2. Aluguéis recebidos via PIX
Quem é proprietário e recebe aluguéis por PIX de inquilinos, também precisa informar os valores ao Fisco. Os aluguéis pagos por pessoas físicas devem ser lançados no carnê-leão.
Se os aluguéis forem pagos por empresas, o valor será declarado pela fonte pagadora, e o proprietário deve importar os dados na declaração de IR.
3. Venda de produtos com habitualidade
Quem realiza vendas constantes pela internet (roupas, cosméticos, eletrônicos, bolos, etc.) e recebe por PIX, mesmo sem empresa aberta, pode ser caracterizado como empresário informal, o que exige a abertura de um CNPJ.
Importante: movimentações frequentes de vendas por PIX podem ser interpretadas pela Receita como atividade econômica, e não como simples vendas pessoais.
4. Doações, heranças e valores isentos
Doações recebidas por PIX também precisam ser declaradas no IR como rendimentos isentos e não tributáveis. E o doador deve informar na ficha “Doações Efetuadas”.
Se os valores doados ou recebidos ultrapassarem R$ 40 mil no ano, a entrega da declaração torna-se obrigatória, mesmo sem outros rendimentos.
❌ Quais recebimentos por PIX não precisam ser regularizados?
Nem toda movimentação via PIX precisa ser declarada. Veja alguns exemplos comuns que não exigem regularização:
- Transferências entre contas de mesma titularidade
- Reembolsos de amigos ou familiares (como dividir a conta do restaurante)
- Valores simbólicos ou esporádicos sem habitualidade
- Pagamentos do dia a dia, como serviços de delivery, salão de beleza, entre outros
No entanto, é sempre importante manter os comprovantes das transações, caso a Receita peça esclarecimentos.
🛑 O que acontece se eu não regularizar meus recebimentos por PIX?
A Receita Federal possui sistemas automatizados que cruzam:
- Extratos bancários enviados pelas instituições via e-Financeira;
- Notas fiscais emitidas;
- Declarações de Imposto de Renda;
- Carnê-leão e outros informes financeiros.
Se houver incompatibilidade entre os valores movimentados por PIX e os declarados oficialmente, o contribuinte pode:
- Cair na malha fina
- Ser intimado a prestar esclarecimentos
- Ter que pagar multas por omissão de receita (com juros)
- Ser excluído do MEI ou até ter problemas com benefícios sociais como o Bolsa Família
🧾 Como regularizar pagamentos recebidos por PIX como pessoa física?
Se você ainda não possui empresa aberta, siga este passo a passo para regularizar os valores recebidos:
- Acesse o Carnê-Leão Web: Plataforma obrigatória para declarar rendimentos recebidos de pessoas físicas (serviços, aluguel, etc.). Basta acessar gov.br com sua conta.
- Preencha os dados mês a mês: Lance os valores recebidos via PIX, categorizando corretamente (serviço, aluguel, etc.).
- Pague o DARF, se houver imposto devido: O imposto deve ser pago até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento. O próprio sistema do Carnê-Leão gera o DARF para pagamento.
- Importe as informações no IRPF: No ano seguinte, os dados do carnê-leão são importados automaticamente para a declaração de Imposto de Renda.
🧮 Como regularizar recebimentos por PIX com CNPJ?
Se você já atua com CNPJ (MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido), é preciso:
- Registrar todas as entradas no sistema financeiro: Os valores recebidos via PIX devem ser lançados no controle de receitas, e a empresa precisa emitir nota fiscal correspondente.
- Cumprir com as obrigações acessórias: Dependendo do porte e do regime, será necessário:
- Enviar DASN-SIMEI (para MEI)
- Declarar DCTF, DEFIS, PGDAS-D (para Simples Nacional)
- Fazer livros contábeis e fiscais (para Lucro Presumido ou Real)
- Pagar os impostos corretamente: Por fim, com base nas receitas da empresa, a contabilidade gera mensalmente uma guia com o valor dos impostos a pagar.
Para evitar problemas com o fisco, é muito importante realizar o pagamento até o vencimento.
🏢 Quando vale a pena abrir um CNPJ para regularizar recebimentos por PIX?
Se você movimenta valores acima de R$ 5.000 mensais, atende clientes com frequência ou presta serviços com habitualidade, pode ser hora de sair da informalidade.
Vantagens de atuar como PJ:
- Economia tributária (alíquotas menores que o IRPF)
- Profissionalização do negócio
- Possibilidade de emitir notas fiscais
- Melhor acesso a crédito, convênios e benefícios
A São Lucas Contabilidade pode analisar seu caso e indicar se o MEI, Simples Nacional ou Lucro Presumido é o melhor regime.
✅ Conclusão
O PIX é prático e eficiente, mas não pode ser usado como escudo para informalidade. Se você recebe valores com frequência por esse meio de pagamento, é fundamental entender se precisa declarar, pagar impostos ou até mesmo abrir um CNPJ.
A regularização evita multas, problemas com o fisco e perdas financeiras no futuro. E o melhor: pode até resultar em economia tributária e mais organização financeira.




