O dropshipping no Brasil se tornou uma das formas mais populares de iniciar um e-commerce com baixo investimento. Nesse modelo, o lojista não mantém estoque próprio: ele vende o produto e o fornecedor é quem se encarrega de enviar diretamente ao cliente final.
Apesar da praticidade, muitos empreendedores têm dúvidas sobre a tributação no dropshipping. Afinal, vender como pessoa física ou abrir um CNPJ? Quais impostos pagar? E, principalmente, como reduzir a carga tributária sem comprometer a legalidade do negócio?
Neste artigo, vamos explicar como funciona a tributação do dropshipping no Brasil, tanto nacional quanto internacional, e mostrar estratégias para pagar menos impostos de forma correta.
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ToggleVale a pena atuar como pessoa física no dropshipping?
Sim, é possível começar no dropshipping como pessoa física. Porém, na prática, essa escolha costuma sair cara. Isso porque todo o valor recebido entra como renda pessoal e é tributado pela tabela progressiva do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF):
Base de cálculo | Alíquota | Parcela a deduzir |
Até 2.259.20 | Isento | Isento |
De 2.259,21 até 2.826,65 | 7,50% | R$ 169,44 |
De 2.826,66 até 3.751,05 | 15% | R$ 381,44 |
De 3.751,06 até 4.664,68 | 22,50% | R$ 662,66 |
Acima de 4.664,68 | 27,50% | R$ 896,00 |
Além disso, a Receita Federal exige contribuição previdenciária de 20% sobre os ganhos, limitada ao teto do INSS.
👉 Resultado: Quando o negócio cresce, o empreendedor pode acabar pagando mais de 30% em tributos, reduzindo drasticamente a margem de lucro. Por isso, abrir um CNPJ é a decisão mais inteligente já nas primeiras etapas de profissionalização do negócio.
Como funciona a tributação no dropshipping internacional
Ao abrir um CNPJ, o empreendedor pode escolher o regime tributário mais adequado ao faturamento e ao tipo de operação. Isso garante menos impostos e mais segurança jurídica.
São três opções em regimes tributários, sendo cada uma delas, indicada para determinada realidade de negócio. Confira!
1. Simples Nacional
O CNAE mais utilizado no dropshipping é o 7490-1/04 – Intermediação de negócios, que se enquadra no Anexo V do Simples Nacional.
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Alíquota inicial: 15,5%.
Faixa | Receita em 12 meses | Alíquota | Valor a deduzir |
1ª | Até 180.000,00 | 15,50% | — |
2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 18,00% | R$ 4.500,00 |
3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 19,50% | R$ 9.900,00 |
4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 20,50% | R$ 17.100,00 |
5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 23,00% | R$ 62.100,00 |
6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 30,50% | R$ 540.000,00 |
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Possibilidade de reduzir para o Anexo III (a partir de 6%) com o uso do Fator R, se os gastos com pró-labore / folha de pagamento representarem 28% ou mais do faturamento.
Faixa | Receita em 12 meses | Alíquota | Valor a deduzir |
1ª | Até 180.000,00 | 6,00% | — |
2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 11,20% | R$ 9.360,00 |
3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 13,20% | R$ 17.640,00 |
4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 16,00% | R$ 35.640,00 |
5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 21,00% | R$ 125.640,00 |
6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 33,00% | R$ 648.000,00 |
👉 Importante: No dropshipping internacional, a nota fiscal deve ser emitida apenas sobre a comissão do lojista. Exemplo: se o produto é comprado por R$ 100 e revendido por R$ 300, a nota deve considerar R$ 200.
2. Lucro Presumido
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As alíquotas variam entre 11,33% e 16,33%, dependendo do município e do ISS local.
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Pode ser vantajoso quando o faturamento ultrapassa os limites do Simples Nacional (R$ 4,8 milhões por ano) ou quando a margem de lucro é elevada.
3. Lucro Real
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Geralmente pouco utilizado em dropshipping, devido à complexidade e às exigências de controles fiscais detalhados.
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Indicado apenas em operações de grande porte ou quando há prejuízos a compensar.
Tributação no dropshipping nacional
No dropshipping nacional, a lógica tributária é diferente, porque a operação passa a ser considerada como um e-commerce tradicional.
Existem dois cenários:
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Intermediação de negócios: A empresa emite nota fiscal apenas pelo serviço prestado ao fornecedor.
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Compra e revenda: O lojista adquire o produto (mesmo virtualmente) e revende ao cliente, emitindo nota fiscal de comércio.
Neste último caso, as alíquotas podem começar em 4% sobre o faturamento total, sendo geralmente mais vantajoso do que a intermediação, já que é tratado como comércio.
Dropshipping pode ser MEI?
Essa é uma dúvida muito comum. Sendo assim, veja quando é possível recorrer ou não e essa opção:
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Internacional: Não pode ser MEI, pois o CNAE de intermediação de negócios não é permitido para microempreendedor.
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Nacional: Em alguns casos é possível atuar como MEI utilizando CNAEs de comércio eletrônico.
No entanto, o limite de faturamento do MEI é de apenas R$ 81 mil ao ano. Sendo assim, quem deseja escalar o negócio rapidamente precisará migrar para o Simples Nacional.
Como pagar menos impostos no dropshipping
A boa notícia é que existem estratégias legais para reduzir a carga tributária e aumentar a rentabilidade:
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Abrir um CNPJ: Atuar como PJ quase sempre resulta em menos impostos do que como pessoa física.
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Escolher o regime certo: Faça simulações no Simples e no Lucro Presumido para avaliar qual é o mais vantajoso.
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Utilizar o Fator R: Aumentar a folha de pagamento pode reduzir a tributação de 15,5% para 6% no Simples Nacional.
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Diversificar o portfólio: Incluir produtos de maior valor agregado permite margens maiores e absorve melhor os custos tributários.
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Investir em tecnologia de gestão: Escritórios de contabilidade especializados no segmento, como a São Lucas Contabilidade, podem montar um planejamento tributário, visando a redução legal dos impostos.
O papel da contabilidade especializada em dropshipping
A legislação tributária brasileira é complexa, e o dropshipping ainda é um modelo relativamente novo. Por isso, muitos empreendedores cometem erros ao tentar gerir sozinhos sua parte fiscal.
Uma contabilidade especializada em dropshipping pode ajudar em:
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Escolha do melhor regime tributário;
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Emissão correta de notas fiscais (intermediação ou comércio);
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Redução da carga tributária por meio de planejamento;
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Regularização fiscal para evitar multas da Receita Federal;
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Projeção de lucros reais para reinvestir no negócio.
Conclusão
O dropshipping no Brasil é uma excelente oportunidade para quem deseja empreender no comércio digital com baixo investimento inicial. Porém, entender como funciona a tributação é fundamental para garantir lucratividade e segurança jurídica.
Atuar como pessoa física pode até parecer mais simples, mas a carga tributária é pesada. Abrir um CNPJ e escolher o regime tributário correto é o caminho para pagar menos impostos e escalar o negócio com tranquilidade.
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