O Simples Nacional 2027 continuará existindo, mas a Reforma Tributária vai mudar a forma como micro e pequenas empresas lidam com os impostos sobre o consumo. A principal novidade será a possibilidade de escolher entre recolher IBS e CBS dentro do Simples Nacional ou separar esses dois tributos do DAS.
Além disso, 2027 marca uma etapa importante da Reforma Tributária, com a extinção de PIS e COFINS e o início efetivo da CBS.
Neste conteúdo, a São Lucas Contabilidade explica as principais mudanças e o que sua empresa precisa analisar antes de tomar uma decisão.
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ToggleO Simples Nacional vai acabar em 2027?
Não. Uma das principais dúvidas dos empresários é justamente se a Reforma Tributária determinará o fim do regime simplificado. Isso não acontecerá.
O Simples Nacional continuará existindo em 2027, mantendo sua proposta de oferecer tratamento tributário diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte.
A grande mudança está na relação do regime com os novos tributos criados pela Reforma Tributária: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
A CBS substituirá PIS e Cofins. Já o IBS substituirá gradualmente ICMS e ISS.
Em 2027, PIS e COFINS serão extintos e a CBS começará a ser efetivamente cobrada. O IBS, por sua vez, terá alíquota reduzida durante essa fase inicial, enquanto a transição de ICMS e ISS para o novo imposto acontecerá posteriormente.
Portanto, teremos um período de convivência entre elementos do sistema atual e do novo modelo.
O que muda no Simples Nacional 2027?
A mudança mais importante será a possibilidade de a empresa escolher como deseja recolher IBS e CBS.
Basicamente, existirão duas alternativas.
Na primeira, a empresa continuará recolhendo IBS e CBS dentro da sistemática do Simples Nacional. Ou seja, os tributos permanecerão integrados ao recolhimento realizado pelo regime simplificado.
Na segunda alternativa, a empresa continuará sendo optante pelo Simples para os demais tributos, mas irá apurar IBS e CBS separadamente, seguindo as regras do regime regular desses impostos.
Essa possibilidade cria uma espécie de modelo híbrido. A empresa não precisa abandonar completamente o Simples Nacional para utilizar a sistemática regular de IBS e CBS.
Essa escolha poderá alterar significativamente a relação da empresa com fornecedores e clientes, principalmente quando suas vendas forem destinadas a outras pessoas jurídicas.
Qual é a diferença entre pagar IBS e CBS dentro ou fora do Simples?
Quando IBS e CBS forem recolhidos dentro do Simples Nacional, a empresa mantém uma sistemática mais simplificada. Entretanto, existe uma questão importante envolvendo os créditos tributários.
- Se a empresa permanecer recolhendo IBS e CBS dentro do Simples, ela própria não poderá apropriar créditos desses tributos sobre suas aquisições.
- Além disso, quando vender, o comprador poderá aproveitar crédito correspondente ao IBS e à CBS efetivamente devidos naquela aquisição conforme a sistemática do Simples.
Quando a empresa opta pelo regime regular de IBS e CBS, a dinâmica muda.
Nesse cenário, ela poderá, observadas as regras da legislação, apropriar créditos sobre suas aquisições e gerar créditos conforme a sistemática regular para seus clientes.
É justamente aqui que surge uma das decisões estratégicas mais importantes da Reforma Tributária para pequenas empresas.
Por que empresas B2B precisam prestar atenção aos créditos?
Imagine duas empresas concorrentes que vendem determinado produto por R$ 10 mil para clientes empresariais.
A primeira recolhe IBS e CBS dentro do Simples. A segunda também permanece no Simples Nacional, mas optou por recolher IBS e CBS pelo regime regular.
Para o cliente comprador enquadrado no regime regular, não importa apenas o preço da mercadoria. Ele também poderá considerar quanto de crédito tributário conseguirá aproveitar naquela aquisição.
Dependendo das circunstâncias, um fornecedor capaz de gerar maior volume de créditos pode se tornar comercialmente mais interessante.
Por isso, empresas que vendem principalmente para outras empresas precisam analisar com cuidado o Simples Nacional 2027.
Entre os negócios que merecem atenção especial estão:
- Indústrias;
- Distribuidoras;
- Atacadistas;
- Empresas de tecnologia;
- Prestadores de serviços B2B;
- Fornecedores de grandes empresas.
Já negócios predominantemente B2C, que vendem diretamente ao consumidor final, podem ter uma realidade diferente, pois normalmente o consumidor não utiliza créditos de IBS e CBS.
Vale a pena recolher IBS e CBS fora do Simples Nacional?
Não existe uma resposta única. Para determinadas empresas, manter tudo dentro do Simples poderá continuar sendo mais econômico e operacionalmente conveniente. Para outras, separar IBS e CBS poderá melhorar a competitividade.
A decisão precisa considerar diversos fatores, como:
- Faturamento da empresa;
- Margem de lucro;
- Estrutura de custos;
- Quantidade de despesas que podem gerar créditos;
- Perfil dos fornecedores;
- Perfil dos clientes;
- Vendas B2B ou B2C;
- Impacto dos créditos para os compradores;
- Custos administrativos da nova sistemática.
Uma empresa B2C com poucas aquisições geradoras de créditos pode chegar a uma conclusão completamente diferente de uma indústria que compra muitos insumos e vende exclusivamente para outras empresas.
Por isso, não faz sentido escolher simplesmente a alternativa com a menor alíquota aparente. Será necessário simular toda a cadeia.
Como preparar sua empresa para o Simples Nacional 2027?
O primeiro passo é não esperar 2027 chegar. Como decisões importantes precisam ser tomadas ainda em setembro de 2026, o ideal é realizar antecipadamente um estudo tributário.
A empresa deve comparar pelo menos três cenários: Simples com IBS e CBS dentro do regime, Simples com IBS e CBS pelo regime regular e, quando fizer sentido, migração para outro regime tributário.
Também será necessário revisar preços, margens, fornecedores, sistemas fiscais e contratos comerciais.
A São Lucas Contabilidade pode realizar essas simulações e identificar qual cenário tende a ser mais vantajoso para o seu negócio.
O Simples Nacional 2027 não será simplesmente uma continuação do modelo atual. A Reforma Tributária adiciona novas escolhas que podem afetar impostos, créditos, preços e competitividade.
Por isso, antecipar o planejamento será fundamental.
Entre em contato com a São Lucas Contabilidade e descubra como preparar sua empresa para as mudanças do Simples Nacional e da Reforma Tributária em 2027.




