Revisado por Leandro Bueno, contador (CRC 1SP21626/O-0), em 03/11/2026.
O melhor regime tributário para transportadora é o que deixa a menor carga na operação real, sem encarecer o frete para quem contrata.
Em geral, o Simples Nacional tende a pesar menos nas empresas menores, o Lucro Presumido pode compensar em faturamentos maiores e o Lucro Real costuma ganhar espaço quando a margem é apertada. A partir de 2027, porém, essa conta ganha um novo fator: o crédito que o seu cliente aproveita no frete.
É por isso que o assunto voltou à mesa neste fim de ano. Até agora, comparar regimes significava olhar só para o imposto da própria empresa. Com a CBS, um embarcador pode preferir a transportadora que gera mais crédito, mesmo que o preço de tabela seja parecido.
Se a sua dúvida já passou da teoria, a contabilidade para transportadoras faz essa análise com os números da sua operação. A seguir, explicamos a lógica de cada regime.
Índice
ToggleComo cada regime tributa a transportadora?
Cada regime calcula o imposto sobre uma base diferente, e essa é a primeira coisa a entender.
| Regime | Como funciona | Mais indicado para |
|---|---|---|
| Simples Nacional | Guia única sobre o faturamento, no Anexo III, até R$ 4,8 milhões por ano | Empresas menores, com folha relevante |
| Lucro Presumido | IRPJ sobre presunção de 8% e CSLL sobre 12%, mais PIS, Cofins, ICMS e INSS sobre a folha | Margem alta e faturamento acima da faixa em que o Simples compensa |
| Lucro Real | IRPJ e CSLL sobre o lucro efetivo, com PIS e Cofins não cumulativos | Margem apertada, frota própria e muitas despesas com crédito |
No Simples, o transporte intermunicipal e interestadual de cargas segue o Anexo III, com ICMS no lugar do ISS, enquanto o transporte municipal fica com o ISS. Acima do sublimite de R$ 3,6 milhões, ICMS e ISS costumam sair da guia.
No Presumido, há uma novidade que muita gente ainda não colocou na conta. Desde 2026, a parcela da receita anual acima de R$ 5 milhões tem acréscimo de 10% na presunção, o que eleva a base de 8% para 8,8% no IRPJ.
Exemplo: faturamento de R$ 150 mil por mês
Imagine uma transportadora com R$ 1,8 milhão de receita anual, em fretes interestaduais, e ICMS hipotético de 12%.
| Regime | Carga estimada sobre a receita | Valor mensal | O que fica de fora |
|---|---|---|---|
| Simples Nacional | Cerca de 13% | Cerca de R$ 19.500 | Crédito baixo para o cliente |
| Lucro Presumido | Cerca de 18% | Cerca de R$ 26.900 | INSS patronal sobre a folha |
| Lucro Real | Depende do lucro e dos créditos | Exige simulação | Varia com a margem |
O exemplo é simplificado e não substitui uma simulação. Ainda assim, mostra por que olhar só para a alíquota engana: o ICMS, a folha e a margem podem mudar o resultado.
O que muda para a transportadora em 2027?
Em 2027, a CBS substitui PIS e Cofins, e o frete entra de vez na lógica de crédito. O TCU calculou a alíquota de referência em 11,3%, e o Senado precisa definir o valor até 15 de dezembro de 2026. O IBS fica em patamar simbólico até 2028, e ICMS e ISS só saem aos poucos, até 2033.
Para quem está no Presumido, a mudança é grande. Hoje, a empresa paga 3,65% de PIS e Cofins no modelo cumulativo. Com a CBS, a alíquota sobe, mas a transportadora passa a ter crédito em insumos como diesel, pneus e manutenção, e o valor vem destacado para o tomador.
Simples tradicional ou Simples híbrido?
As empresas do Simples têm duas opções. No modelo tradicional, IBS e CBS seguem na guia única. No regime regular, conhecido como Simples híbrido, a empresa continua no Simples, mas apura esses dois tributos por fora.
| Critério | Simples tradicional | Simples híbrido |
|---|---|---|
| Rotina | Uma guia | Guia do Simples mais apuração de IBS e CBS |
| Crédito para o cliente | Menor | Integral sobre o tributo destacado |
| Faz mais sentido para | Quem atende pessoa física ou clientes que não usam crédito | Quem vende frete para empresas do regime regular |
Uma estimativa publicada no Mundo Logística sugere que o frete do Simples tradicional pode ser remunerado entre 92% e 94% da referência. É uma projeção de mercado, e não uma tabela legal, mas mostra o tamanho do risco comercial.
Quais prazos ainda estão abertos?
A janela de opção para o primeiro semestre de 2027 terminou em 30 de outubro. Mesmo assim, ainda há decisões a tomar:
- Até 15 de dezembro de 2026: o Senado deve definir a alíquota da CBS.
- Até 20 de dezembro de 2026: quem optou pelo regime regular pode cancelar a escolha. Como a data cai em um domingo, o mais prudente é agir até 18 de dezembro.
- De 1º a 31 de março de 2027: nova janela de opção, com efeito a partir de 1º de julho de 2027.
Como escolher o regime da sua transportadora?
Antes de decidir, reúna os dados dos últimos 12 meses e responda a cinco perguntas:
- Qual é a receita bruta e qual é a tendência para 2027?
- Qual é a margem real, depois de diesel, pneus, pedágio e manutenção?
- Quanto a folha de motoristas e ajudantes pesa sobre a receita?
- Seus clientes são empresas que aproveitam crédito ou consumidores finais?
- Seus contratos de frete para 2027 preveem revisão por mudança tributária?
A quarta pergunta costuma ser a mais negligenciada, porque não aparece em nenhuma guia de imposto. Ela aparece na negociação com o cliente.
Perguntas frequentes sobre regime tributário para transportadora
Qual o melhor regime tributário para transportadora pequena?
Em geral, o Simples Nacional tende a ser o mais vantajoso para transportadoras menores, porque concentra os tributos em uma guia e inclui o INSS patronal. Se os clientes forem empresas, porém, vale simular o Simples híbrido.
Transportadora pode ser do Simples Nacional?
Sim. O transporte rodoviário de cargas pode optar pelo Simples Nacional, dentro do limite de R$ 4,8 milhões de receita bruta anual, e é tributado pelo Anexo III.
Quanto uma transportadora paga de imposto?
Depende do regime, do tipo de frete e da margem. No Simples, a alíquota efetiva do Anexo III começa em 6%. No Presumido, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins somam cerca de 5,93%, antes de ICMS ou ISS e do INSS sobre a folha.
A transportadora paga ICMS ou ISS?
Paga ICMS no frete intermunicipal e interestadual, e ISS no transporte dentro do mesmo município. A alíquota de ICMS varia conforme a origem e o destino.
Lucro Real vale a pena para transportadora?
Pode valer quando a margem é apertada ou há prejuízo, porque IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro efetivo. Em compensação, o regime exige mais controles e uma apuração mais detalhada.
O que é Simples híbrido?
É a opção pelo regime regular de IBS e CBS dentro do Simples Nacional. A empresa segue no Simples para os demais tributos, mas apura IBS e CBS por fora da guia, o que pode ampliar o crédito do cliente.
Perdi o prazo de 30 de outubro. E agora?
Quem não optou segue com IBS e CBS na guia do Simples no primeiro semestre de 2027. A próxima janela vai de 1º a 31 de março de 2027, com efeito a partir de 1º de julho.
A transportadora pode mudar de regime em janeiro?
A mudança de regime costuma ser feita no início do ano-calendário, mas cada regime tem sua forma de opção. Para o Simples de 2027, o prazo terminou em 15 de outubro de 2026. Confirme a sua situação antes de virar o ano.
A CBS vai aumentar o preço do frete?
Depende do cliente e do regime. Para empresas que aproveitam crédito, o efeito tende a ser mais neutro. Para consumidores finais, o tributo vira custo, por isso os contratos precisam prever essa mudança.
Sua transportadora está no regime certo para 2027?
O regime que funcionou até aqui pode não ser o melhor para o próximo ano. Definir o melhor regime tributário para transportadora exige cruzar faturamento, margem, folha, perfil dos clientes e contratos de frete, e não apenas comparar alíquotas.
Esse é o trabalho da contabilidade para transportadoras da São Lucas. A equipe avalia o regime e os benefícios aplicáveis à operação, orienta a emissão de CT-e e MDF-e, cuida da folha de motoristas e entrega relatórios sobre a rentabilidade de cada frete.
O escritório fica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Peça um diagnóstico da sua transportadora antes de fechar os contratos de 2027.




